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Novembro 2024

ARTIGOS DO MÊS

DEVERÁ O MANITOL ORAL SER RECONSIDERADO COMO UMA OPÇÃO IDEAL PARA A PREPARAÇÃO DO CÓLON?

A maioria das preparações intestinais atualmente disponíveis são razoavelmente eficazes e seguras; no entanto, a aceitação dos doentes é ainda um problema significativo, representando possivelmente um obstáculo à realização da colonoscopia.

O manitol atua como laxante osmótico, tendo sido amplamente utilizado no final da década de 1970 e início da década de 1980 como agente de limpeza intestinal para colonoscopia (utilização off-label).

Apesar de ainda ser muito utilizado em alguns países da América Latina (principalmente no Brasil), na Europa e nos EUA, o manitol foi descontinuado no século passado após alguns casos de explosão atribuídos a um aumento da concentração intestinal de metano (CH4) e/ou hidrogénio (H2) resultante da fermentação bacteriana do açúcar não absorvível.

No entanto, esta hipótese nunca foi confirmada, tendo sido também relatadas outras explosões intestinais utilizando preparações com polietilenoglicol.

Assim foi realizado o estudo SATISFACTION que consistiu num estudo de Fase III, internacional, multicêntrico (30 centros; inclusão de 703 doentes), aleatorizado, cego para gastrenterologistas, de determinação de dose/não inferioridade. Na fase II do estudo, foram avaliadas comparativamente três doses únicas de manitol oral (50 g, 100 g e 150 g). A dose de 100 g/750 mL foi identificada como a quantidade ideal em termos de eficácia, segurança e tolerabilidade. A parte da Fase III do estudo foi concebida para demonstrar a não inferioridade da dose única de baixo volume de manitol administrada 4 horas antes da colonoscopia quando comparada com a preparação padrão de dose dividida de 2 L de PEG-ASC (MoviPrep®) em termos de eficácia de limpeza intestinal e a sua superioridade em termos de aceitação do doente.

Além disso, todos os doentes que receberam manitol oral ou PEG-ASC foram submetidos a medições intestinais dos níveis de H2 e CH4 nos diferentes segmentos do cólon para avaliar o risco relativo entre os dois medicamentos de causar concentrações de gases potencialmente críticas.

O manitol foi não inferior ao PEG-ASC no objetivo primário (proporção de doentes com limpeza intestinal adequada). Não houve diferença significativa nos parâmetros de eficácia secundários, nomeadamente na taxa de deteção de adenomas, taxa de entubação cecal), segurança (concentração de gases intestinais, parâmetros analíticos e eventos adversos).

O perfil de aceitabilidade foi significativamente melhor no grupo do manitol para a facilidade de utilização, sabor e disposição para reutilização (p < 0,0001 para todos). A concentração de gases intestinais (H2, CH4) foi semelhante entre os grupos e muito abaixo das potencialmente críticas.

Notavelmente, o manitol teve uma ação muito rápida em comparação com o PEG-ASC: a realização da limpeza intestinal algumas horas antes do procedimento endoscópico pode representar uma vantagem significativa tanto para os doentes como para o funcionamento das unidades de endoscopia digestiva.

Gabriela Duque

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Foi Alexis Littré em 1710, ao ver uma criança com uma malformação rectal quem primeiro introduziu o conceito de colostomia ventral, mas foi Pillore de Rouen em 1776 quem primeiro aplicou as ideias de Littré ao executar uma cecostomia por neoplasia oclusiva da junção rectosigmoideia, Littré recomendou a prática sistemática de cecostomia inguinal transperitoneal em todos os pacientes com ânus imperfurado.

A ileostomia é uma técnica bem mais recente, tendo-se verificado a sua utilidade nas DII, que necessitavam de colectomia total.

A ileostomia passaria a ser mencionada a partir da experiência de Brown em 1913 que a indicou para tratamento de colite ulcerosa.

Cabe a Bryan Brooke em 1952 o mérito de sugerir uma abordagem simples e lógica, (eversão da mucosa) na manufactura das ileostomias. A “ileostomia de Brooke”é até hoje a técnica standard nas ileostomias Foi Nils Kock em 1969 quem primeiro executou a ileostomia continente (Kock pouch).

A ileostomia é um estoma intestinal formado a partir do intestino delgado distal. Apesar de comumente realizado, tal procedimento é potencialmente acompanhado de complicações que na maioria das vezes são subestimadas2. Estudos mostram que as taxas de complicações, relacionadas aos estomas, variam de 21 a 70%.
Muito embora a criação de uma ileostomia possa ser a menor parte de uma cirurgia maior, o estoma pode ter um efeito físico social e psicológico bastante significativo na vida do paciente.

Apesar do eventual regresso a uma qualidade de vida e a ao nível de atividade anteriores, a imagem corporal e a função sexual não se alteram com o tempo.

Grande parte de tais complicações podem ser evitadas com o planeamento do local de confecção do estoma e com o uso de técnica cirúrgica adequada. Principalmente nos casos de estomas definitivos, uma maior atenção na sua confecção,(que ocorre normalmente ao final do procedimento cirúrgico), poderá proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente, com baixas taxas de complicações.
Uma ileostomia bem construída pode cursar com o mínimo efeito adverso na qualidade de vida.

Este artigo de revisão dos nossos colegas do Departamento de Cirurgia do Centro Hospitalar Universitário do São João no Porto reflete muito bem este tipo de complicações.

Jorge Baptista de Sousa 
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